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Alto Cumulus

Espelhos, metal, cabos de aço
290 x 430 x 230 cm (approx.)
Rio de Janeiro, 2025


Instalada em 2025 na entrada do histórico Edifício Aliança da Bahia, no centro do Rio de Janeiro, Alto Cumulus, de Gustavo Prado, estabelece um diálogo entre arquitetura, paisagem urbana e as transformações que atravessam a vida contemporânea.

Marco da arquitetura modernista carioca, o Aliança da Bahia passou por um amplo processo de retrofit realizado pela construtora internacional de Daniel Leão, com projeto liderado pelo arquiteto Ruy Rezende, falecido em 2025. A intervenção atualiza o edifício para novos usos ao mesmo tempo em que preserva e reativa sua presença na paisagem do centro da cidade.

Concebida especialmente para a entrada do prédio, Alto Cumulus é uma instalação suspensa formada por um vasto conjunto de espelhos. Articulados entre si, seus elementos permanecem em constante movimento: respondem às correntes de ar que atravessam o espaço e, simultaneamente, às imagens que se transformam continuamente sobre suas superfícies.

   
A obra captura fragmentos da arquitetura, da luz, do céu e das pessoas que entram e saem do edifício. Nenhuma configuração se repete inteiramente. O visitante deixa de ocupar apenas a posição de observador e passa a integrar temporariamente a própria obra, tendo sua imagem multiplicada, fragmentada e reorganizada pelo movimento dos espelhos.

O título Alto Cumulus faz referência às formações de nuvens que ocupam as camadas intermediárias da atmosfera. Na instalação, essa imagem natural encontra uma segunda acepção, contemporânea: a “nuvem” como espaço invisível de armazenamento e circulação de dados. Prado aproxima, assim, dois sistemas em permanente transformação — o céu, com suas massas de ar, luz e vapor, e as redes digitais que armazenam imagens, informações e parte crescente de nossas experiências.

Entre a materialidade do edifício e a instabilidade dos reflexos, Alto Cumulus articula diferentes temporalidades. De um lado, a arquitetura modernista e sua permanência histórica; de outro, uma obra que nunca se apresenta duas vezes da mesma maneira. Céu, cidade, arquitetura, tecnologia e presença humana coexistem em uma superfície mutável, fazendo da entrada do edifício um lugar de passagem e, ao mesmo tempo, de permanente transformação.
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